Terapia cognitivo Comportamental - TCC SP

Terapia Cognitivo Comportamental Para relacionamentos - Livro

 

CAPÍTULO 1 

Psicóloga Sp Maristela Vallim Botari - CRP-SP 06-121677

Psicóloga Clínica na Bela Vista.

 

Como pensamos nos relacionamentos

Se existe algo que costuma gerar sofrimento nos relacionamentos, não é exatamente o que acontece — mas a forma como interpretamos o que acontece.

Duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes. Enquanto uma pensa “ele deve estar ocupado”, a outra conclui “ele não se importa comigo”. A situação é a mesma. A experiência emocional, completamente diferente.

Isso acontece porque não reagimos diretamente aos fatos, mas aos significados que atribuímos a eles.

Nos relacionamentos amorosos, esses significados costumam ser rápidos, automáticos e, muitas vezes, pouco questionados. São pensamentos que surgem quase instantaneamente, como se fossem verdades absolutas — e não interpretações.

Por exemplo:

  • “Se ele não respondeu, é porque está me ignorando”
  • “Se ela está mais distante, deve ter perdido o interesse”
  • “Se precisamos conversar sobre isso, é porque o relacionamento não está funcionando”

Esses pensamentos não aparecem como hipóteses. Eles aparecem como certezas.

E é exatamente aí que começa o problema.

O papel das crenças

Ao longo da vida, cada pessoa constrói crenças sobre si mesma, sobre os outros e sobre o amor. Essas crenças funcionam como lentes através das quais os relacionamentos são interpretados.

Algumas pessoas carregam ideias como:

  • “Eu não sou suficiente”
  • “As pessoas sempre vão me abandonar”
  • “Relacionamentos sempre acabam”

Quando essas crenças estão presentes, elas influenciam diretamente a forma como qualquer situação é percebida.

Um atraso em responder uma mensagem pode ser interpretado como rejeição.
Um pedido de espaço pode ser sentido como abandono.
Uma crítica pode ser vivida como prova de desamor.

Não porque a situação necessariamente significa isso — mas porque a mente já está preparada para chegar a essa conclusão.

Pensar não é o mesmo que interpretar corretamente

Um dos maiores equívocos dentro dos relacionamentos é acreditar que, porque pensamos algo, esse algo é verdadeiro.

Mas pensamentos não são fatos.

Eles são construções — influenciadas por experiências passadas, inseguranças, expectativas e medos.

E, quando não são questionados, passam a guiar emoções e comportamentos de forma automática.

Isso cria um ciclo:

👉 Pensamento → Emoção → Comportamento → Consequência → Reforço do pensamento

Por exemplo:

“Ele não me ama mais”

Ansiedade / tristeza

Cobrança ou afastamento

Conflito ou distanciamento real

“Eu sabia que ele não se importava”

O pensamento inicial, que era apenas uma interpretação, acaba sendo reforçado pela própria reação.

Por que isso importa?

Porque, sem perceber, muitas pessoas passam a viver relacionamentos baseados mais em interpretações do que em fatos.

E isso gera sofrimento desnecessário.

Aprender a identificar esses padrões de pensamento é o primeiro passo para construir relações mais equilibradas, mais conscientes e menos reativas.

Não se trata de “pensar positivo”, nem de ignorar problemas reais.

Trata-se de aprender a pensar com mais precisão.

 

continua...... 

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