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Distorções cognitivas

 

Distorções cognitivas

 

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, desenvolvida a partir dos trabalhos do psiquiatra Aaron T. Beck, as distorções cognitivas são padrões de pensamento que interpretam a realidade de maneira imprecisa ou exagerada.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, desenvolvida a partir dos trabalhos do psiquiatra Aaron T. Beck, as distorções cognitivas são padrões de pensamento que interpretam a realidade de maneira imprecisa ou exagerada.

Essas distorções não são mentiras conscientes — elas são formas automáticas de interpretar acontecimentos que podem reforçar emoções difíceis, como ansiedade, culpa, tristeza ou irritação.

A seguir estão algumas das distorções cognitivas mais descritas na literatura da TCC.


1. Pensamento tudo-ou-nada (ou dicotômico)

A pessoa interpreta as situações em extremos, sem considerar nuances intermediárias.

Exemplo:
“Se eu não tirei nota máxima na prova, então fui um fracasso.”

Nesse tipo de pensamento, não existe espaço para avaliações graduais, como “fui bem, mas posso melhorar”.


2. Supergeneralização

A pessoa tira uma conclusão ampla a partir de um único evento ou de poucos acontecimentos.

Exemplo:
“Fui mal nessa apresentação. Eu sempre estrago tudo.”

Um episódio isolado passa a ser interpretado como um padrão permanente.


3. Filtro mental (ou abstração seletiva)

A pessoa foca apenas nos aspectos negativos de uma situação e ignora os positivos.

Exemplo:
Um aluno recebe vários elogios por um trabalho, mas fica preso apenas a um comentário crítico e conclui:
“Meu trabalho foi ruim.”


4. Desqualificação do positivo

Mesmo quando algo positivo acontece, a pessoa o desconsidera ou minimiza.

Exemplo:
“Passei na entrevista, mas foi só sorte.”

Aqui, conquistas reais são tratadas como irrelevantes ou acidentais.


5. Leitura mental

A pessoa acredita saber o que os outros estão pensando, geralmente assumindo julgamentos negativos.

Exemplo:
“Ele não falou comigo hoje. Deve estar achando que sou incompetente.”

Não há evidência concreta dessa interpretação.


6. Catastrofização

A pessoa imagina que a pior consequência possível irá acontecer.

Exemplo:
“Se eu cometer um erro nessa reunião, minha carreira acabou.”

Pequenos problemas são interpretados como grandes desastres.


7. Raciocínio emocional

A pessoa assume que aquilo que sente reflete necessariamente a realidade.

Exemplo:
“Eu me sinto incapaz, então devo ser incapaz.”

Nesse caso, o sentimento é tratado como prova objetiva.


8. Deverias (ou exigências rígidas)

A pessoa estabelece regras muito rígidas sobre como ela mesma ou os outros “deveriam” agir.

Exemplo:
“Eu nunca deveria cometer erros.”

Quando essas regras não são cumpridas, surgem sentimentos intensos de culpa, frustração ou raiva.


9. Rotulação

A pessoa atribui rótulos globais e negativos a si mesma ou aos outros.

Exemplo:
“Eu errei nessa tarefa. Sou incompetente.”

Em vez de avaliar um comportamento específico, a pessoa transforma o erro em uma definição de identidade.


10. Personalização

A pessoa assume responsabilidade por acontecimentos que não dependem exclusivamente dela.

Exemplo:
“Meus amigos parecem quietos hoje. Acho que fiz algo errado.”

Mesmo sem evidências, a pessoa se coloca como causa do problema.


Consideração final

Essas distorções são comuns e fazem parte do funcionamento cognitivo humano. Na prática clínica da TCC, o objetivo não é eliminar pensamentos negativos, mas identificar padrões de interpretação que podem estar distorcendo a percepção da realidade e examiná-los de forma mais cuidadosa e equilibrada.

 


 

 

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Psicóloga SP - Maristela Vallim Botari 

CRP SP 06-121677 

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